segunda-feira, maio 15, 2017

Assédios



por Rafael Belo

Você escuta aquela gritaria desnecessária e olha para o lado. Lá está alguém de cargo superior humilhando o subalterno e todos os empregados em silêncio com medo da sobra. Esta cena já deve ter acontecido com todo mundo em algum momento ou vai acontecer. Aquele erro alheio ou a acusação gratuita para impor o poder te traz inúmeras perguntas, inclusive, por que fiquei quieto? Por que estou neste trabalho? Ter um cargo acima do meu inclui se sentir superior? Isto é ser patrão? Líder com certeza não é! Mas, nossas necessidades e responsabilidades nos confundem para a anulação.

É um dos motivos da depressão ser o mal do século. O assédio no trabalho e a omissão dentro do narcisismo individualismo nos faz sentir mal, claro, nos torna ratinhos ou ogros, acumuladores de raivas ou impacientes enlouquecidos rumo a um abismo com tanta escuridão a ponto da cegueira substituir toda a razão. Não é possível oferecer rosas se só têm espinhos, afinal temos várias camadas de ignorância algumas mais grossas outras mais gentis todas precisando ser retiradas. Uma a uma vamos procurando esta nudez em nós, mas em nossos tropeços mal amamos mal amados parecemos gostar de agir de formas horríveis rotulados rotulamos e descarregamos nossas frustrações em qualquer pessoa ou lugar.

Nesta hora a iniciativa falha, a expectativa aumenta e dificilmente alguém se envolve. O silêncio de todos terem parado e mesmo assim fingirem fazer algo esperando o próximo ato do assédio pesa ainda mais. Quantos conflitos o abuso de poder gera? Uma provável fragmentação de uma comunidade já esquizofrênica entra em mitose e meiose na indefinição de quem é para a divisão celular. Essa multiplicação chega a uma imitação desta biologia na cadeia alimentar e você vai se por no seu lugar? Onde é o seu lugar? Estamos dispostos a perder a dignidade, o emprego pelo considerado certo?


Errado! Tome um banho de água fria, mais gelada ainda... Além da imaginação glacial. Vá em frente. Vai doer mais, ultrapasse a dor da humilhação. Esta, aliás, só acontece pelo poder imenso dado de bandeja ao outro sobre nós. Esse constante encher do ego com o hélio dos elogios. Esqueça isso. Só você tem poder sobre você e ponto. As coisas seguem naturalmente, independentes de nós. A nós sempre cabe o livre-arbítrio. Precisamos evoluir para reagir da melhor forma. Isto vem com o tempo, vem com o observar o erro do outro também. Porém, acima de tudo, vem com a forma de receber aquilo dado pelo momento. No caso da aberração perpétua do assédio quem sabe uma denúncia, a indiferença, a maneira como o assediador vive ou simplesmente exercitar enxergar o positivo em tudo isso. Encarar de outra forma muda toda a perspectiva da evolução espiritual para limpar nosso lixo acumulado. 

3 comentários:

Maria Belo disse...

....só vc tem poder sobre vc ponto. Belo texto!

Alice Mattos disse...

É preciso falar de assédio em todas as suas nuances, pois ele está tão arraigado nas sociedades e em seus sujeitos, que muitas vezes não sabemos indentificar.
Parabéns pelo texto!

Rafael Belo disse...

OBRIGADO ALICE!!!