quarta-feira, dezembro 13, 2017

Black Feeling Good (miniconto)








Por Rafael Belo

Feeling Good gritava nos meus ouvidos naquela voz inimaginável de Nina Simone, aliás, sou Nina por causa dela. Negra por genética mesmo... Esta música é minha trilha sonora diária e não importa o que aconteça a ouço ainda que esteja de som ambiente de qualquer outra coisa. Nina é minha referência, apesar da insanidade total mortal do alcoolismo... Eu me identifico, às vezes a vontade é entorpecer para sair deste mundo de dor sem cor querendo segregar por cor... Mas, vou em Feeling Good e transporto um sorriso e uma malemolência no balançar da cabeça.

Ela me faz bem. Realmente faz me sentir bem... É meu lugar de paz e poder. Já cansei de fazer necessários escândalos por causa de abusadores e ainda ser recriminada por irmãs e irmãos... Enfim, este mundo é opressivo pra mim e é impossível não pensar em desistir uma hora ou outra. Não há vencedores e perdedores... Somos animais precisando conviver eventualmente e esta tentativa falha de nos diminuir com injúrias raciais e todo este palavreado chulo, tosco, escroto... Ah, eu fico putaça! Tenho direito, mas prefiro o direito de me sentir bem. Não é a vontade global? O mundo não quer se sentir bem?

É preciso diminuir o outro? Humilhar o outro por questões inexistentes? Desconheço este deus diminutivo do eu sou melhor, da segregação, do ódio, do desamor... Estes resquícios rançosos da eugenia são de um absurdo tamanho... Me dá até falta de ar... Vamos lá... Feeling Good... Ajuda-me Nina...! É um mundo racista, preconceituoso e machista repleto de disfarces e desculpas ou... Como se sentir bem fazendo o outro se sentir mal? Como ser humano assim? Resiliência, resistência, força... Desgastam como ossos sendo batidos como baquetas...


Mas, a gente pode se renovar. Você entende? Ninguém pode nos diminuir! Sou tão plural que, às vezes, paro para me encontrar e cada uma de mim sentar para conversar... Uma destas é Nina cantora, engajada, dona dos rolês, apontando o dedo e batendo na cara, mas a outra é o oposto. Ela se encolhe, se retrai quando o racismo a diminuí, quando os abusadores lhe roubam a intimidade, a identidade e ela passa a ser objeto. Eu sou um conflito constante tentando retirar cada esteriótipo equivocado e ainda sim há um buraco negro como uma nuvem negra reforçando tanta escravidão.

terça-feira, dezembro 12, 2017

denegrindo





trava a língua a míngua e as cores não existem na pele de ninguém
quem não escuta as correntes tilintarem e se arrastarem no cotidiano?
anos de escravidão resistem debaixo dos panos as chibatas descem às claras
não se apagam as marcas com cicatrizes sendo abertas sem hesitação

é preta a situação como a degradação desta adjetivação
sem objetividade o buraco negro suga até a luz em alta gravidade
enquanto o humor negro desembesta a nos denegrir na obscuridade

a sociedade está no enegrecimento pejorativo do samba do crioulo doido
doído no não sou tuas negas para ficar balindo neste rebanho de ovelhas negras

com mercado negro magia negra lista negra e muito do negativo por aí querendo nos extrair
ouça o que disse a história não é presunção nem achismo a tortuosa trajetória a nos punir

negamos a inexistente inveja branca reforçando o oposto morremos com gosto de Zumbi.


+ às 11h19, Rafael Belo, terça-feira, 12 de dezembro de 2017 +

segunda-feira, dezembro 11, 2017

no mínimo igualdade




por Rafael Belo

Há uma nuvem de mágoas sobre nossas cabeças, não lágrimas, não olhos... Mágoas e cabeças. Vivemos irritados cheios de mimimis e razões. É onde habita o preconceito. Exatamente neste estado. A não aceitação do outro e o ódio gratuito espalhado gerando sentimentos contraditórios, cobranças e acusações eternas. Uma separação irracional abalando o emocional, um veneno inoculado abertamente, discretamente e alterando as intenções na medida errada, conforme se espalha. Nestes tempos sensacionalistas de “textões” e “sinceridades” falar o que pensa não é dizer a verdade.

Nós já somos escravos de tantas coisas e ainda não abolimos a escravidão. A escravatura veio das guerras quando um povo subjugava o outro e os subjugados eram obrigados a exercerem quaisquer tarefas para o “vencedor”. Não era questão de pele, de sexo (apesar da escravidão sexual, a prostituição forçada e outros tipos de degradação também variaram desta extrema privação de liberdade). Hoje tudo é medido por pele, gênero, sexo e, principalmente, dinheiro. Mas, nem este tão poderoso deus adorado e tão invocado a todo o momento distorcendo e controlando toda nossa sociedade faz imune o negro do preconceito e do infeliz recorde de maior número de mortos e assassinados.

Fala-se em graus de preconceitos conforme a tonalidade da cor, como se raça assim fosse. Mais claros ou mais escuros... Eu penso em tudo isso como um absurdo e uma discussão inesgotável, mas que termina com a simplicidade de todos serem humanos até os mais desumanos. Ensinar ódio, diferenciação entre classes, etc... Já me irrita tanto, mas se referir a outra pessoa de forma carinhosa ou pejorativa me incomoda na mesma medida e peso. Não importa que seja repleto de boas intenções eu me incomodo. Não há motivo no mundo para ressaltar “neguinho”, “pretinho”, seja lá o que for diante de todas as outras formas possíveis de se referir a uma pessoa e os motivos são tantos quanto uma tese acadêmica interminável.

Existe aqueles capazes de adotar estes “chamamentos” ou apelidos no nome como autoafirmação, forma de lutar contra o preconceito ou demostrar um não importar-se conveniente. O peso das palavras não é só dado pela mente e pela boca, mas pelo tom utilizado, mas enfim a injúria racial pública mais recente - que desolou muitos - foi do caso das celebridades que adotaram Chisomo (significa graça na língua de origem Nianja) e é de Malawi, no Sul do continente africano. A criança, conhecida como Titi, tem pais biológicos, no entanto, não encontrei o motivo dela ser passível de adoção, porém, estamos tratando de racismo. A socialite Day McCarthy foi debochada e racista em comentários gravados em vídeo direcionados a uma criança (Titi) publicado e viralizado chamando toda a atenção em um despropósito imensurável no destilar de ódio contaminando muitos.


Para mim é inconcebível este assunto sequer existir, mas ele está enraizado no nosso país repleto de preconceitos que voltam a ferver toda vez que as cotas voltam a ficar expostas. Há sempre um mimimi ignorante sobre este direito. Não é questão de inteligência é uma questão de reparação histórica irreparável. É desgastante ouvir os “argumentos”, as “justificativas” querendo desmerecer a necessidade das cotas, mas é fato que nunca será possível reparar a situação dos negros humilhados, degradados, chacinados e até quase apagados dos registros oficiais na tentativa de negar a escravidão. Precisamos reavivar o bom-senso e a humanidade para praticarmos no mínimo a igualdade.

sexta-feira, dezembro 08, 2017

Até quando eu quiser (miniconto)






por Rafael Belo

Eu não neguei o toque. Não iria resistir mais. Ele me tocou e eu toquei tantas músicas com meu corpo... Um instrumento universal soando, ressoando, cantando pela bateria da pele também percussão, pelas cordas vocais também viola, violoncelo, violino, violão... Pelo piano dedilhado, ah, intenso e delicado. Mais os instrumentos de sopro saindo de brisa para furacão e aí pela contramão... Então, um coro de anjos, o canto divino da falange também se intercalava com uma infernal legião...

Tudo de um contato físico, da pele tocada de todas as formas imaginadas...  Da entrega. Eu estava delivery, self service das sensações proporcionadas pela quebra de barreiras, de fronteiras, de obstáculos, de cálculos lunáticos e defesas pessoais...Tocar com o olhar já não bastava há tanto tempo que quase me perdi na minha própria orquestra em um esquecimento espiritual, sentimental para um domínio carnal totalmente sensorial. Cada poro meu é uma canção.

Quando vem o arrebatamento eu sinto cada músculo do meu corpo e o que esqueço agora é alguma vez ter me negado... Ter negado o toque e o tocar... Espero o som do silêncio e tocada continuo. Chego à liberação de sentimento e aos desbloqueios mentais. Só então, o espiritual extravasa. Avassala qualquer resquício de escravidão acorrentado em mim como uma sombra infinita. Meu silêncio grita e se torna parte da canção. A pausa entre as respirações, entre as notas, a gente se nota e anota mentalmente o calor inicial do contato físico, do toque...


Sinto-me germinal e mais solar que o sol... Sou Gama e todo o sentido emana sobrando sentidos em um explosão corporal de estímulos e ao invés da pele ser a prisão imposta social, é meu portal para ser extensão e parte do todo e toda em parte conectada da distância inexistente da ponta dos dedos até o seu olhar. Resistência agora só contra o negativo. Negação desde já apenas para o que não acrescenta, ao que não quer tocar, sentir e àquele que só quer contato para chamar de contatinho. Mas, só me toque seu eu deixar e aí é até quando eu quiser parar.

quinta-feira, dezembro 07, 2017

tateia





estende os dedos toca timidez
devagar roça o dedo na pele
olha nos olhos espera reação
até toda mão poder envolver sentir

contato físico imediato enviando impulsos arrepiados pelo pulso acelerado
vai inflamado incendiando a pele suspirada esperando novo toque pensado
até o coração espancado pular pela boca sempre a reagir ao seu tocar estrelado

uma imensa bolha se forma ao nosso redor lá fora silêncio
todo tato tateia em fogo a tatuagem feita pelo arrepio saliente

de repente tudo pára a gente continua o mundo nunca foi tão imenso.


+ às 10h09, Rafael Belo, quinta-feira, 07 de dezembro de 2017 +

quarta-feira, dezembro 06, 2017

agora não (miniconto)





por Rafael Belo

Esqueça esse tal de entender. O que entendemos realmente nesta instável vida? Vai lá e sinta. Pronto. Acabou. Ficar procurando motivos não resolve nada. Mas, não estou dando conselhos nem sendo exemplo. Eu mesma... Eu mesma me sinto um iceberg, apesar de saber estar continuamente utilizando todas minhas ferramentas e aprendizagem para a frieza exalar o ar gélido do olhar. Não importa mais se quero tocar... Eu não toco e pronto. Pior ainda é se me tocarem... Não entendo esta mania das pessoas... Tá! Eu entendo. Querem atenção total, querem que você olhe, querem ter certeza que você está ouvindo... Mas, não me toque, diga.

Esta necessidade patológica de contato físico, de achar que se for tocado significa algo... Esta mania de todos se acharem psicólogos e sábios da vida... É um saco. Digo só isso porque prometi pra minha mãe diminuir os palavrões, mas... Vamos voltar ao assunto. Não poderiam simplesmente me deixar em paz. Não é todo mundo que quer ficar só que está depressivo, que procura o suicídio... É muito difícil saber diferenciar a preocupação com a invasão? Esquece isso. Pergunta idiota...

Creio... Humm... Nunca soubemos exatamente o nome do sentimento quente saído de um toque. Eu sempre associei a desejo, vontade, querer... De novo... Esta mania nossa de procurar padrões e acabar seguindo um padrão de escolha podre, bem bosta mesmo... Aí não sei se a gente surta, chora ou... Quero dizer eu, né. Não sei vocês. Eu surto e choro de temporada em temporada e quando chega o fim, eu não sei o que fazer aí vou segurando até mesmo quando vejo ser impossível... Sou teimosa. Tenho medo de ficar sozinha e olha aqui... Estou só.


Só não entendo... Droga. Olha a contradição de novo. Eu devo ter medo também de escolher diferente, então escolho sempre parecido achando que eu sou errada – Só faltava – ou que eu posso mudar a pessoa escolhida. Meu Deus! Quanta burrice. Tem alguém por aí eu sei, não sou tão louca ou sou tão louca a ponto de insistir nesta ideia. Mas, agora não. Agora eu quero tentar me entender um pouquinho. Ok! Tentar escutar o que sinto. Melhor né? Entender é supervalorizado demais... Vou parar de emendar as coisas, sem respirar, sem pensar... Nem sempre o impulso nos leva para frente ou para cima. Às vezes é só uma estática, um ruído, um congelamento no ar para que pelo menos nesta oportunidade (gostaria de pensar assim...) de cair quebrando a cara, algo aconteça... Então, deixa eu encontrar meu espaço sem precisar tocar em ninguém e, por favor, não me toque. Pelo menos agora não.

terça-feira, dezembro 05, 2017

de longe



o olhar ousa tocar prendendo a respiração
já não tem noção de tempo se perde distante
leva o semblante momento de intenso desejo com medo do tato
preso como um raro artefato reprimido nas areias de um deserto antigo

está instintivo lutando contra si deixando o coração em perigo
deixa de rir enquanto segura as mãos perdido naquela visão
quer o toque mas segue em choque movido por um coração atingido

tingindo em cicatrizes cauterizadas com caules cortados assim que nascidos
desfavorecido por outros batimentos fingidos está oprimido pelo acontecido tão querido

só imagina o físico contato quer sentir o impacto o calor o pulsar do respirar intensivo ao lado colado contudo flagelado permanece olhado agudo em dor frio sem amor.


+ Às 10h48, Rafael Belo, terça, 05 de dezembro de 2017 +

segunda-feira, dezembro 04, 2017

Por que é tão difícil?





Por Rafael Belo

A pele deu aquele arrepio em um dia sem vento, nem sequer frio. Mas, há aquela necessidade de contato físico... Não sei em qual cidade você está, mas aqui em Campo Grande/MS o tempo é sorrateiro e muda de repente de um sol escaldante para uma chuva corrente, uma tempestade torrencial. Enfim, falava da pele tendo vontade de tocar pele quase como uma necessidade, a referência climática e realmente para falar de clima. Climão ou aquele clima instantâneo. Uma vontade absurda de roçar a textura e o oposto disto, nem querer ver a pessoa.

Tudo isso, mexe com nosso organismo. É sintomático, psicossomático, vivo, dinâmico, demorado e momentâneo. Causa vermelhidão, palidez, sensatez e, ah aquela insensatez. Quantas vezes não conhecemos alguém e de imediato vemos nossos atos se manifestarem sem razão e, pronto, estamos tocando a outra pessoa? O corpo tem mais razão frente à própria razão. Ele tem mais sentido por sentir mais e responder de imediato sem precisar pensar porque já sabe. E a pele? Ela é o nosso maior órgão... Então, imagine comigo o nascimento de um arrepio.

Ele nasce na sola dos pés em um formigamento e vai subindo. Nem sempre passa pelos genitais, mas passa pelo frio na barriga, mexe com a lombar, passa por costas e ombro, traz um suspiro quando chega à nuca, então, parece irradiar no couro cabelo e acender o cérebro. Normalmente, vem com uma sensação boa. Aquelas boas vibrações que nos faz sorrir e, às vezes, parece densa, profunda e misteriosamente uma paixão. Segue aquele toque capaz de acelerar o coração, fazer a gente esquecer de respirar... Ao contrário, o arrepio também pode ser um aviso aracnídeo de perigo, um alerta.


Mas, prefiro focar neste tocar tão intenso e elétrico causando as estações dentro de nós com aquela sensação de conexão, de elo... Aí chovemos como naquela infância onde corríamos na chuva e pulávamos nas poças, ao mesmo tempo recebemos aqueles raios solares matinais no despertar naturalmente, vemos as folhas caírem vagarosamente, o frio congelar a emoção em um eterno batimento bom disposto a aquecer no encostar e em um tom subir primavera com todos os melhores aromas nos perfumando trazendo a essência para o físico... Este é o toque. Esta é a memória mais agradável da pele, do corpo, da química da alma saindo do olhar. Então, me diga o motivo de ser tão difícil se deixar tocar e se tocar?

sexta-feira, dezembro 01, 2017

Detenta (miniconto)






por Rafael Belo

Até há pouco meu estômago estava gelado. Meu peito vazio e apertado. Uma apreensão inexplicável fazendo minhas mãos tremerem. Havia insegurança em mim e a culpa não era minha. Eu queria assumir, mas assumiria o que? Fiz tudo certo, apesar da difamação. Então, larguei mão. Finalmente, liberei o “cansei de esperar”. O grito de angústia saiu gritado queimando do fundo da garganta, a cabeça latejou e doeu, mas o começo da liberdade bateu asas bem no meu rosto.

Quero o que me importa, o útil e o agradável todos os dias. Esta não vai ser a última caixa que saí, a última caverna inundada em mim. Veja, estou nesta caixa de grades acusada de um crime que não cometi. Não vou me entregar. Vou usar cada uma destas caixas onde um dia me enfiei para subir e respirar esta esperança que deixei lá fora. Cada raio solar é um verão me aquecendo e se eu mergulhar nas minhas cavernas inundadas será só uma necessária imersão. Sabe? Aquele momento comigo mesma...

Dói saber tanto, mas é uma dor diferente. Não me puxa pra baixo nem me empurra para trás. Esta dor me puxa para o alto e me empurra para frente. Como uma maçã por dia porque dizem ser saudável e trazer longevidade. O conhecimento trás longevidade? Eu me sinto jovem sempre... Quer entrar na minha caixa? Faça melhor e me ajude a desconstruí-la. Não me julgue por ser presidiária. Quantos de vocês estão aprisionados dentro de si mesmos e por crimes realmentes cometidos por vocês?


Pode ser que eu seja a serpente, esta tentação que uma mulher pode ser em total sedução. Mas, as minhas escolhas só eu tomo. Embriago-me delas, as tomo todas sem ressaca. No entanto, ainda há aquela apreensão no peito, aquele continente Antártico no estômago, mas o motivo está mudando. Agora estou sozinha na cela e ontem estava em uma superlotada com menos de 30 centímetros quadrados para existir. Não preciso decidir entre a solidão e a multidão. Sou ambas e com as duas posso estar. Só preciso reencontrar meu equilíbrio ou um novo criar. Sou o diário de uma detenta cumprindo a pena de outra. Se valerá a pena é outra questão. Posso não estar pagando pela penitência certa, mas estou pagando pelas minhas que só eu sei... Espero suportar... Ei! Será possível alguém abrir esta caixa para eu sair?

quinta-feira, novembro 30, 2017

nadas e sonhos





não dá para esperar o tempo gira o mundo passa
o que importa o que é agrádável o que é útil embaça
é uma cortina de fumaça chorando nossos olhos
uma batida inesperada de um acidente tremendo solos

vidas invadidas pelo verbo verso virando universos nas esquinas
declamação de silêncios sinceros saindo secretos na capa do jornal do dia
quando os ingressos esgotaram e a respiração ainda está suspensa

na dispensa de reclamação há o vazio tudo está zerado em conspiração
há um trauma envolvido no choque em algum lugar que não encontro

tonto dentro do peito dou um jeito estou acordado tecendo novas vestes com nadas e sonhos.


+ às 11h34, Rafael Belo, quinta-feira, 30 de novembro de 2016 +

quarta-feira, novembro 29, 2017

Feche minha caixa (miniconto)





por Rafael Belo

Não sei quanto tempo ela está ali. Provavelmente, quando eu cheguei metade de um dia já havia se passado. Dizem ser louca. Ela enlouqueceu esperando ninguém jamais soube o motivo da espera. Mas, as pessoas sempre dão uma importância muito maior às maledicências e fofocas a verdade em si. Vou até lá. Será possível alguém já ter feito isso? De mulher pra mulher ela falaria? Direi Marisa? Ela estaria realmente presente? Sim. Ela me viu, me acompanha e parece estranhar minha aproximação.

Eu sempre acreditei que se esperasse o que me importa, me é útil e agradável viria. Chegaria e não foi isso que aconteceu. É isso que quer saber? Por quê? Nunca pensei poder ser além do que sou e, a família que tive, sempre reforçou esta ideia. Meus namorados também... Ex-namorados! Conversar? As pessoas sempre quiseram dizer o que eu devo fazer, o que eu devo pensar, o que eu devo comer, o que eu devo vestir... E meu eu ficou por aí...

Esta é a história da maioria? Não sei. Sei que é a minha! Não conheço maiorias nem minorias e as próprias atribuições destes substantivos femininos se contradizem. Talvez seja fato que humanas e exatas são extremos opostos e eu uma louca qualquer sem nem ter noção de direção ou quanto tempo faz que estou aqui. Mas, escrevi muito do meu mundinho aqui. Minha mente psicodélica sempre me traz de volta para este lugar. Porém, bloqueei o motivo. Não faço ideia de acabar sempre aqui.


Deixe-me na minha caixa. Ninguém mandou você sair. Quem mandou você reproduzir Eva e comer o fruto do conhecimento... Minha ignorância, meus hábitos, minha rotina, me doem menos. Tenha piedade e me deixe sofrer em paz. Quem sabe minha espera valha à pena... Ou isso nem seja um sofrimento, mas uma penitência esquecida que resolvi pagar. Pegue sua caixa e vá embora... Ei! Feche minha caixa ao sair.

terça-feira, novembro 28, 2017

Desgrátis





estava tão bem desacordado no meu passado
nenhum significado significava alguma coisa
estava atado dos olhos aos passos no tablado
era um trocado trocado para parar o porvir

renegado eu no apogeu do fim da queda
orgulhoso de ter orgulho de não saber ser nada
deitado na escada parado sentindo pena da tristeza em mim

esperando a pressa do que me interessa ninguém subia
só descia infesta o útil em promessa desagrada o agradável

serei retornável como uma embalagem de hipocrisia? Nesta dinastia a providência é só aparência quando nem se paga um prato de comida se perde a essência.


+às 16h04, Rafael Belo, segunda, 27 de novembro de 2017+

segunda-feira, novembro 27, 2017

Há espera




por Rafael Belo


Li uma crônica de Lima Barreto esses dias onde ele afirmava que nós brasileiros estamos sempre dispostos a esperar tudo que nos interessa, nos é útil e agradável e fiquei pensando se sempre estivemos esperando algum tipo de assistencialismo, algum tipo de gratuidade eterna, seja do Governo ou divina. Nem todos, mas de alguma forma este sentimento está dentro de todos por mais renegado que seja, mas é certo que nada será providenciado, não haverá nenhum tipo de providência se não enxergarmos.

Há mais para ver neste mundo, há mais para ser a cada minuto, mas somos condicionados a cegueira, a uma caixa escura sem a permissão de entrada de luz. Aí vemos parênteses, asteriscos fora da caixa lutando para não ser mais um produto do sistema, mais uma catástrofe anunciada e não sabemos se adoramos ou queremos nos tornar aquele símbolo em destaque na multidão, na internet, nos jornais, na televisão. Sabe? Trabalhando em algo que dê orgulho?

Queremos lembranças, sermos lembranças ou ser um aviso do possível? Você sente orgulho do seu trabalho? Você é orgulhoso? A tonalidade, o tom, a derivação da palavra orgulho pode nos erguer ou derrubar... Você já parou para pensar? Orgulho pode significar um conceito exagerado de si mesmo; pundonor (não consegue abdicar, nem deixar de possuir, excesso de pudor e rigor, decência, honra, decoro, distinção); altivez (Amor próprio, dignidade, nobreza, presunção, arrogância); brio (coragem, disposição, elegância, determinação, valor); dignidade e soberba (prepotente, intolerante). Eu vejo tanta intolerância e soberba espalhadas por aí e, pior, sendo incentivadas de maneira tola e gratuita.


Mesmo assim ainda há a espera pelo que nos interessa, nos é útil e agradável. Estamos nesta caixa e nem percebermos a necessidade de respirar de sair dela, às vezes, nem sabemos esperar. Nestes duplos sentidos múltiplos qual o motivo a nos fazer levantar? Qual o sentido de sair da caixa e dar as costas para quem nem viu a caixa ainda? Estenda sua mão. Se puder dar oportunidade para alguém simplesmente dê porque, apesar de tudo que nos dizem e realmente sermos tudo, sozinhos não somos nada.

sexta-feira, novembro 24, 2017

meu nome é liberdade (miniconto)





por Rafael Belo

Sinto-me um tsunami. Não destruidora, não matadora, não perturbadora, mas uma força incontrolável da natureza. Avassaladora na presença. Tão contente comigo mesma a sorrir. Se estou amando? Bem-me-quero e provo ser a beleza física a menor das atrações. Sou comum na aparência, mas sinto o próprio sol irradiando da minha pele. Não me acho, mas tenho satisfação quando todos me olham e sorrio com o olhar nos olhos dos desconhecidos e desconhecidas cruzando o meu caminho.

Eu sou conexões sinápticas, sentimentais e ao mesmo tempo física, mas não carnal. Falo de sensações quando o vento acaricia minha pele, quando o crush me toca de maneira calculada ou no meio de uma distração. Vem uma emoção sabe? Tudo em mim arrepia. Aí acontece de minha mente entrar na mente dele e a gente nem mente mais... Conversa horas inteiras e, às vezes, é melhor que sexo banal, casual, sem sentimento, só a necessidade do corpo de executar a excitação, de banir os hormônios da mente para uma viagem corporal.

Mas, quando mente e corpo viram sentimento... Aí estou perdida. Ah, eu me perco toda. Sinto-me transcender. É como ver a chama nascer e se alastrar como se fosse jogada em uma floresta seca no outono e este lugar fosse repleto de gás... Bom, aí já viu né? É Bumm! E aqueles estralos todos do fogo parecem meu corpo relaxando, meus ossos perdendo toda a tensão. Só para tirar o ene... Cara! Sim! É um tesão incomum porque ... AAAA! Não tem explicação. É realmente se sentir raro, especial, peça exclusiva neste mundo igual.


Assim eu me sinto com um holofote me acompanhando no rolê. Como se eu fosse uma foragida dos padrões da Justiça e do Bem do próximo no meio da Escuridão destes rolê em busca de sentir e se divertir. Mas, não sou atração. Sou imã e dançando com a vida rola beijos e quem sabe algo mais... Porque em um momento espontâneo não importa se é momentâneo se eu me entrego à desconexão das coisas pequenas, da matéria ingênua se achando a mais significante. É insignificante qualquer coisa agora a não me fazer sentir. Isto sim é ser livre e se me quiser, me chame. Agora eu me chamo liberdade!

quinta-feira, novembro 23, 2017

estapeados





sou um bicho geográfico criando sob peles minha conexão
mudo toda geografia mental física emocional em observação
sou mapas reconhecidos por quem tem liberdade no olhar
um tapa da vida me deixa marcado para perceber a ligação

a realidade é nossa ilusão espalhada em um gráfico de elos
singelos lapsos da memória um terremoto estático de duelos
flagelos frangalhos nos separam cartas repetidas no baralho

há algo sintomático nas desconexões voando entre peito e estômago
explode o senso demográfico em embaraço no âmago até a lua brilhar

a boêmia no rolê mistura clichês e de repente as conexões estão presentes em engajamentos mentais em encaixes físicos nas entregas emocionais somos estapeados para sermos mais, então deitamos para ver o sol nascer.


+Rafael Belo, às 10h48, quinta, 23 de novembro de 2017+

quarta-feira, novembro 22, 2017

Meu estado é desconexão (miniconto)







por Rafael Belo

Estou aqui tentando buscar aquele sentimento, aquele momento, mas é como se de repente não existisse mais vento ou sequer a brisa. Quero meus pelos eriçados, meus cabelos bagunçados, minha pele arrepiada e um sorriso impossível de desfazer largado no rosto. Ao invés disso, estou me sentindo um cubo de gelo seco debaixo deste imerecido sol. Ou talvez eu mereça...! Nada é gratuito a não ser o puro Amor, a pura Amizade... Eu confundi conexões com obsessões minha vida toda e não posso dizer estar desconectada se sempre estive. Meu estado é desconexão.

Minhas emoções sempre foram instáveis e aqui amarrada, neste fim de tarde, não vejo o sol. O tempo mudou de repente para variar. As horas se arrastam, os mosquitos se alimentam de mim, zumbem dentro do meu ouvido, entram na minha boca, invadem os meus olhos, mas vão diminuindo conforme as nuvens de chuva se aproximam junto com o som do trovão fazendo cair folhas e tremer o chão. Ficou uma súbita escuridão e silêncio. Não entendo o silêncio. Não sei como proceder... Não sei como lidar. Nada aqui tem explicação.

Este flash do universo neste lugar esquecido, onde uma esquecida presa está no esquecimento ilumina tudo em um de repente e eu não sinto nada. Será possível tantos raios em sequência sobre o mesmo lugar? Claro, tudo isso é sobre mim. Sobre quem mais seria? Sou só em solidão por mais encontros, desencontros, leves ignoradas e vácuos pesados que eu tenha distribuído indiscriminadamente não me enquadro com ninguém, em nenhum cenário, mas detesto ter uma multidão em stand by... Estão esperando nem sequer sabem o quê.


Pressionada nestes vazios retrôs há uma catarse nesta chuva me encarando lá de cima. Eu estou amarrada em um lugar desconhecido sem dor, sem motivo... Bom, motivos sobram sempre mesmo não fazendo sentido e preciso sentir e mesmo assim eu não sinto. Morrer é assim? Nada de tipo isso ou eu ser tipo ou eu preferir tipos sou uma mulher cheia dos meus próprios princípios porque até de mim eu me esgoto. Esta chuva está caindo em mim com granizo ora atingindo como uma faca dilacerante meus ossos ora queimando como chuva ácida desta poluição. Serei eu forte por mais uma hora. Vou despertar ou me afogar, mas ninguém além de mim pode me encontrar.

terça-feira, novembro 21, 2017

Adulteradas conexões






olho as profundas linhas das minhas mãos
são sermões senões de todas as conexões de lacrados tãos
separações insinuadas em diversas proporções no cósmico mapa
geográficas etapas de todo mundo ser uma inseparável ilha condicionada

há pequenas substâncias sempre singelas sorrindo contatos em recepção ingrata
burocrata forma sociopata da negação desta desconexão de tanto continente particular
tsunami dos arquipélagos causando casualidades cancerígenas de adultérios sentimentais

totais viagens transcendentais transmitindo títulos sem contexto bugando confusões mentais
ais de contatos físicos fenomenais fingindo feitos factuais do outro lado das fundamentais águas

sempre há vagas no acasos vagos ocupados por permanentes passados sentados projetados em imaginárias paredes enquanto o coração deitado na rede revela relvas prontas para praticar ser floresta prestes a se isolar.


+Rafael Belo, às 12h05, terça, 21 de novembro de 2017+

segunda-feira, novembro 20, 2017

Nossa incapacidade





por Rafael Belo

Uma pessoa querida me falou de conexões e fiquei pensando ao que somos conectados se constantemente estamos desconectados de nós mesmos. O futuro não tem conexão o passado é uma prisão da mente e o agora... Bem, o Agora é apenas convocado como um deus pagão precisando de um sacrifício para acontecer. Talvez, nem mais sejamos conjugados porque falta o tempo certo para flexionar o verbo que deveríamos ser. Então, onde estamos? Não queremos ficar sozinhos de verdade, mas não queremos outra pessoa com medo de nos machucar e nesta contradição paralela do impossível nossa selfie revela um borrão ou um apagão distorcido no olhar.

É tão difícil assim se conectar? Vou detalhar para ninguém vir falar de dados e wi-fi. Falo de conexões físicas, emocionais e mentais. Não vejo mais muito disso, pelo contrário... E, aliás, a gente repara sim. Quando quer... Leio declarações hipócritas nas redes sociais e não julgo apesar do adjetivo, só fico pensando o que esta passando a pessoa, o que ela está pensando...? Aqui neste fluxo seria um luxo não associar o fim dos dados, a oscilação da conexão do wi-fi, a queda do sinal... Não vou fugir deste lugar comum de alegorias e analogias. Quando os dados acabam vamos em busca de um wi-fi free ou começamos a nos desesperar? Se o sinal oscila xingamos, nos irritamos ou esperamos? Se o sinal cai, qual nossa reação? É piegas, é clichê, é old school e tudo mais, mas eu sinto falta de tocar as pessoas, estar presente, olhar nos olhos...

É totalmente insuficiente teclar no whats, trocar fotos, vídeos, áudios e gifs. Eu quero mais. Arrepio-me um pouco ao pensar nas conexões físicas porque normalmente tem a ver com o corpo, a pele, o toque, os sentidos, a satisfação, o desejo... Resumimos-nos a isso? A sair nos rolês em busca de sentir novamente ou de uma nova maneira o sexo, o cheiro, o gosto? De encontrar alguém, ao invés de aproveitar quem está contigo? Isso é diversão? Contorço um pouco os lábios ao pensar nas conexões emocionais. Elas me são caras e raras. Esquentam meu coração, elevam minh’alma, abrem as janelas dos meus olhos... As quero livres, felizes com si mesmas e inspiradas. As pessoas, não as conexões...


Conexões mentais? Estas ficam em uma mão somente. São praticamente impossíveis. São naturais, profundas, diretas, admiráveis, raríssimas... Desbloqueiam sinapses esquecidas, fazem algo inexplicável com o tempo, me acalentam, me inspiram e criam em mim um fluxo de criatividade possivelmente incomparável. Enfim, até conseguimos no conectar imediatamente ou no decorrer do tempo a estas três conexões, no entanto, penso ser nosso maior problema nosso desconhecimento sobre o que nos conecta, a dependência do outro, a dependência daquele sentimento despertado com a presença do outro, o desenvolvimento de uma carência que enfiamos na nossa cabeça só ser suprida pela pessoa “escolhida”, “destinada”, o que, por fim, acaba nos levando ao verdadeiro obstáculo: a incapacidade de desconectar. Você já desconectou hoje?

sexta-feira, novembro 17, 2017

Lady Murphy (miniconto)






por Rafael Belo

Eu estava ali. Mais uma vez tombada. Mesmo assim, minha raiva estava direcionada para aquele copo de plástico e para a falta de retidão de tudo. A cidade não era reta e já nem fazia sentido o motivo de eu ter parado ali. Não neste momento, mas quando vim para cá há muitos anos. Nada daquilo existe mais. A garota certinha tinha sido agredida, passei por mais essa sem ser violentada. Mas, ser submetida a tanto babaca se achando no direito de ter direitos... Não vou ficar mais calada... Bem, nunca fiquei. Não é possível uma “família” ter tanto poder. Isso não vai ficar assim, vou ser bem clichê para dizer isso. Nunca mais alguém vai encostar em mim no rolê se eu não deixar. Nunca mais!

Está tudo tão pesado que minha ressaca moral, deitada aqui de lado, fica meio ofendida por nenhuma criatura ter vindo ver se estou morta ou viva. Não tenho motivos para não ter o outro tipo de ressaca também. Não vou parar de beber bebidas alcoólicas... Resolver com a “família” sem me esconder e mesmo assim não me descobrirem... Não será o suficiente. Eu vou revidar contra todo homem indecente, inconsequente, violento... E daí eu ter sido mimada?!. Mimos são bons... Só estragam mentes incapazes de se moldar... Aliás, me sinto retardada. Parece que meu cérebro diminui a cada “oi sumida” que recebo no whats ou quando um imbecil qualquer vem falar qualquer merda. Estou me distraindo, eu sei! Preciso de foco. Qual o problema de eu ser um pouco vingativa?! Vai somar em mim mesmo...

Vou ser a Lady Murphy destes homens que acham poder ser chamados assim. Não sou arquiteta de computadores à toa... Vou crackear todos os casos de agressões e criar uma lista. Tomei gosto e é de sangue com uma fatia de pão com manteiga caído no chão. Vou inserir vírus simbioses para se transformarem nos arquivos dos aparelhos eletrônicos destes maníacos doentes. Lady Murphy vai substituir deliberadamente toda esta imagem de “certinha” colada em mim como um nome de família. Será que eu bati a cabeça e vou virar uma justiceira? Quem se importa?! Não vou represar esta raiva, não vou mostrar meus seios, não vou pintar a cara, não vou exigir meus direitos... Vou tomar esta dor para mim! Vou resolver do meu jeito!


Tudo vai dar errado para eles. Ah, eles vão se arrepender... Serei o karma ruim... Vão falar por aí “Lei de Murphy” e mimimi, mas só nas primeiras vezes... Logo vão associar à Lady Murphy porque se você fez algo de errado com uma mulher, tudo vai dar errado para você. Ah, vai! Não pense que serei uma vigilante. Serei eu mesma com novo nome, repaginada. Mulher rebelde é o %$#@*&¨+-. Assim, que tudo parar de girar vou assumir meu papel. Você vai ver e se for homem agressivo, vai se arrepender.

quinta-feira, novembro 16, 2017

dizendo rebeldia





queima o peito incendeia o estômago sou tão autônomo a ponto de gritar
meu coração agita se debate em cada parte de mim na própria rebeldia
meu corpo são imensas placas tectônicas em conflito sem permitir faltar ar
mudando toda esta estrutura diluída na liquidez da vida em apologia

há tantos vulcões ativos provocando erupções de motivos para terapia da minha mente
sou emotivo na multidão dadas as mãos na sintonia da marcha para desfazer a cidade
caem corações cruéis rasgando véus desta realidade atuando novas alegorias

pareço nascer dentro de mim de novo tentando sair pelo meio dos pulmões
as emoções se misturam as sensações se acumulam ouço ser eu mais um rebelde

comemora minha pelve rasga minhas calças seguro a alça do tempo passando lento pego fogo em todos os números a me identificar cidadão sorrio sem dimensão dizendo rebeldia é saber ser imensidão.



+às 10h45, Rafael Belo, quinta, 16 de novembro de 2016+