segunda-feira, maio 22, 2017

Pátria de Ninguém ou queimada da quimera brasileira



por Rafael Belo

Não adianta cair aos poucos porque a esperança de recuperar é pior. Caia de uma vez. Quando for piorar se jogue e encontre o fundo do poço. A queda trará liberdade e dor, mas não sofrimento se você não se tornar aliado deste. Medidas paliativas não vão resolver. Não tente manter aquilo passado, isto é o óbvio ululante de Nelson Rodrigues da vida como ela é. Isso sim é manter aquecido o sofrimento. É melhor esfriar, começar do zero, aliás, recomeçar porque sempre carregamos uma bagagem conosco. Vá! Avalie o importante e o desimportante. Esvazie. Seja menos. Vale, claro, para nosso país separado pela linha da queimada. Talvez você nem saiba o traste deste assunto, mas na queimada dois times são escolhidos e separados com o objetivo de eliminar o outro o queimando com a bola. Igual à divisão feita no Brasil.

Enquanto o povo debate, se bate e se mata os corruptos celebram nossa divisão. Eles se abraçam e tramam fomentando nossa guerra longe de ser civil ou civilizada. É uma guerrilha desorganizada tramada por um sistema colonizado pelas aparências. Nós somos os bichinhos de estimação da história repetida neste looping infinito. Somos corruptos e corruptíveis também! Este fato provavelmente é o mais irritante. Sermos enganados constantemente vem em segundo lugar, principalmente quando o termo Reservatório de Boa Vontade é deturpado e se transforma em fundos monetários para comprar mandatos e mandados. Ah, claro, e pessoas! Neste bombardeio vamos nos perdendo, afundando nas poças, nos afogando em dívidas do status quo e acabamos sem ar procurando o fôlego no vácuo com a corda no pescoço. Odiamos-nos e nós odiamos e por qual motivo mesmo?

Não dá tempo para conhecer o presente. A maioria está ausente até de ser. Vai nesta manipulação achando, às vezes, manipular querendo a todo custo ter razão e mais: ter Poder e manter o Poder! Não aprendemos mesmo e como cartas marcadas no jogo viciado ganha quem rouba só para dizer a terrível mentira acomodada: sempre foi assim. Ok! Pode não ser mentira... O sistema português foragido do francês napoleônico já veio com um ministro da Justiça (ouvidor- geral na época) corrupto. Pero Borges, nosso primeiro funcionário público, nosso primeiro corrupto em 1549, recebia propina de obras de um aqueduto levada na casa dele seis anos antes em Portugal. O desvio de dinheiro inviabilizou a obra, Borges foi condenado e mandado ao Brasil. Prêmio ou castigo?

A resposta é apenas uma escolha ou a forma de encarar os acontecimentos? Estamos fazendo algo de verdade? A confusão parece toda esta cortina de fumaça lacrimejando nos olhos de um holocausto previsto, mas como um tsunami da natureza: impossível de evitar. Podemos sim prevenir, ou melhor, reduzir os danos. Não estou falando de fantasia, ficção, ilusão ou ilusão. Vá ao dicionário e confirme: falo de uma combinação incongruente de elementos diversos, também conhecido como quimera. Esta quimera brasileira incrivelmente se realiza no cotidiano. São planos e mais planos, fatos e mais fatos sem qualquer obra do acaso porque às vezes gostamos de enfatizar: é óbvio ou, então, não sou obrigado! Este jogo de palavra leva a outras obviedades e ninguém ser obrigado a saber de tudo, a falar sobre este ou aquele assunto tem suas consequências, mas a paz tem seu preço.

Nós somos meros adereços enquanto não tomarmos consciência da nossa história, dos movimentos realmente adiantando para alguma coisa... Não podemos viver só em guerra, por isso, morremos tanto e dolorosamente aos poucos. Fomos divididos para facilitar e repercutimos a divisão. Só a união fortalece. Apenas braços dados e abraços aquecem mandando embora o medo e a dúvida sobre quem nos tornamos. O Brasil é uma Pátria de todos, mas para esta frase de efeito ser realidade nós precisamos procurar nossa paz e hastear a bandeira branca para eliminar os conflitos internos ou continuaremos a ser Pátria de Ninguém!

2 comentários:

Roberto Medeiros disse...

Infelizmente temos q sangrar.
Ruim e não saber por qto tempo.

Maria Belo disse...

Nós somos meros adereços enquanto não tomarmos consciência da nossa história, dos movimentos realmente adiantando para alguma coisa... ! Parabéns pelo texto!